quarta-feira, 9 de março de 2016

Desejos

Contemplo o céu em uma tumba fria...
Com a lua escura a sangrar
Noites em claro a lamentar...
Esperando por uma Dama Sombria

Refreando todos os meus desejos
Relembrando, em vão, teus beijos...
Sonhando com cada sórdido momento
Pois tu não sais do meu pensamento

Alma obscura, eu clamo por ti!
Venha atender meu mais insano desejo
Quero ter de volta tudo que perdi
Quero ter de volta teus carinhos, teus beijos!

Ser das trevas, ouça meu lamento
Me tire de meu eterno sofrimento
Permita-me suspirar em teus braços
Deixe-me, desta vida maldita, romper todos os laços!


Não se afaste de mim, anjo lindo
Quero ser teu pela eternidade
Morrerei em teus braços, sorrindo
Contemplando a noite sangrenta sobre esta cidade.


Dedicado à minha querida amiga Liza Gabrieli... Lamento muito a sua perda... Sei que vocês seriam muito felizes juntos, mas infelizmente ele se foi antes do tempo. Espero, muito, que possa encontrar uma gota de consolo nessas palavras.
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domingo, 31 de janeiro de 2016

Futuro

“Só quando a última árvore tiver sido derrubada, o último rio tiver sido envenenado, o último peixe capturado é que vocês entenderão que não se pode comer o dinheiro”.

Autor Desconhecido
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Anjo


A solidão se alastra pelo ambiente frio do quarto.
Os pensamentos se esvaem como a neblina após a chuva.
Na escuridão do aposento, eu tento esquecer o sofrimento de uma vida vazia.
Minha mente circula por um vasto rio de sonhos,
Onde toda a dor parece nunca ter existido.

Não existe luz nem trevas, tempo ou espaço.
Um vazio reconfortante, até onde se pode sentir.
O Nada impera neste lugar de sonhos e pesadelos.

Nesse mundo de vazio e escuridão, eu contemplei o ser mais lindo da existência.
Um anjo, com o perdão emanando de suas asas alvas como as nuvens.
Aquela que iria me redimir de meus pecados, que iria me salvar.
Minha Dama das Trevas, banhada em uma luz angelical.

Após essa visão, tive medo de voltar a minha realidade.
Medo de perder de vista esse anjo lindo,
Que me enchia de alegria pela simples visão de sua face, ou por ouvir tua voz.

Tive medo, como nunca senti em toda minha vida.
Medo de perder meu anjo, minha sanidade, minha paz.
Tive medo também de estar sendo egoísta, querendo aquele anjo só pra mim.
Foi então que descobri.

Aquele anjo não existia. Nada que vi ou senti era real.
Foi apenas minha mente, tentando fugir da realidade que me persegue.
E assim, meu sonho de paz se desfez, despedaçado como um cristal no chão.
Eu caí em profundo sofrimento, pois nunca mais veria meu anjo de luz

Minha dama, minha deusa, minha salvação.
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sábado, 12 de dezembro de 2015

Lamentos

Nestas horas mortas que a noite cria
Entre um e outro verso do pavoroso poema
Que sob a pálida luz de uma vela eu lia
Me chegavam antigas lembranças de um dilema.

Quanto amargo e dissabor o silêncio produz!
Entre as sombras vacilantes da noite
Chegam em formas indefinidas, que sobre minha cabeça pairam
Aves e outras criaturas aladas que de infernais recônditos alçam voo até minha mente
A perturbar minh’alma.

Essas formas indefinidas das sombras criadas pelo medo
Ocupando o vazio do meu ser
Preenchendo o que antes era de sentimentos sublimes
E agora, somente o sentimento de dor.
O que antes era alegria, agora é tão somente o dissabor.

Que pena paga um condenado pelos sentimentos!
Oh, agonia incessante. Que martírios mais terei que suportar?
Como um medo tão latente do desconhecido, pode tanto me apavorar?
Será do vazio de minha alma que sinto medo?
Ou do esquecimento do meu ser, por outro já amado?

Não é do fim da vida que treme minha alma
Mas do fim do sentir-se bem eterno.
Não mais existir não é tão doloroso quanto o existir sem ser notado
Ou amar sem ser amado, ou perder o que jamais será recuperado.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Despedida



Ainda não entendo o que passou
Minha mente está perdida
Não acredito que tudo acabou
Não aceito a despedida

Tudo que fiz foi em vão
Mas não sabia como evitar
Sofrendo em minha eterna solidão
Tanta dor que nem posso imaginar...

Estas morta, é o fim
Seu desejo se tornou realidade
Teu sangue ainda está em mim
Agora és livre de verdade

Por quê me deixaste aqui?
Me diga onde errei...
O que não fiz por ti?
Sem você, logo sucumbirei

Mas agora, perguntas não vão adiantar
Pois você já não pode responder
Tudo que me resta é esperar
O dia em que também irei morrer

Então, me espere, anjo lindo...
Descanse nas sombras até o dia chegar
Quando novamente a verei sorrindo...
Quando finalmente poderei te abraçar.
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Confusão

Ideias maliciosas afloram em minha mente
Já não sei o que fazer...
É ruim não saber o que se sente
Estou confuso (e me dói ter que dizer)

Já não sei mais o que sinto...
Um ser das trevas, ou a própria escuridão?
Não sei se digo a verdade ou minto...
Escolher apenas um, ou viver na solidão?

Míseras palavras (capazes de me confundir)
Fui enfraquecido por um sentimento
Sei que é tudo que eu sempre quis ouvir
Mas dos teus lábios, não
Não quero esse tormento

Por favor, não fales mais ao meu ouvido
Incomodado, já estou perdendo a razão
Não sabes o quanto tenho sofrido
Eis uma escolha difícil (uma eterna maldição)
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domingo, 22 de novembro de 2015

De Volta à Velha Casa



Esta noite eu abri os portes do cemitério
E caminhei entre os mortos

Como é bom à velha casa voltar
E sentir o coração bater mais forte
Ao observar as rosas
E pelos túmulos caminhar

Ter de volta lembranças malditas
E chorar como chora uma criança
Mergulhando em dores infinitas

Observo as velas queimando aos poucos
E com elas, meu coração em pedaços
A dor consome minha mente em sonhos loucos
E lembro de como morro em teus abraços

Senti as gotas da chuva molharem meu corpo
E achei que tudo isso era real
Mas me enganei, foi apenas um sonho morto

Que me torna um ser das trevas, imortal.
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